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foto de notas de bonds eua

Inversão na curva acentua no mercado de bonds

Posted on 6 de abril de 2023

Vários analistas em Wall Street vem acompanhando de forma angustiada as trajetórias das taxas de juros futuros dos títulos de curto prazo versus títulos de longo prazo desde a corrida por bonds iniciada em 2019.

Na época, o foco estava no spread entre a Treasury de 2 anos versus Treasury de 10 anos. Este monitoramento é mais do que justificado, já que desde a Segunda Guerra Mundial, as inversões de taxa na curva de juros futuros conseguiram prever com antecedência sete das últimas nove recessões nos Estados Unidos.

O raciocínio é bastante simples. Taxas mais longas oferecem maior risco, portanto o prêmio de juros naturalmente tende a ser maior comparado aos títulos de curta duration. Taxas mais curtas oferecem menor risco, portanto o prêmio de juros naturalmente tende a ser menor comparado aos títulos de longa duration.

Prêmios de risco mais elevados nos títulos de longo prazo significam, também, que existe a expectativa habitual de que a economia irá crescer, consequentemente gerando inflação futura. A inflação gerada pelo crescimento que virá à frente, sugere necessidade de atuação do Banco Central, criando um risco de juros mais elevados no mercado à vista, o que justifica a precificação de taxas maiores nos futuros de longo prazo.

Esta é a forma que o mercado de bonds compensa o risco tomado pelo investidor ao montar uma posição de longa duration. Entretanto, em 2019 o FED enxergou rapidamente a necessidade de reverter a política monetária em curso, saindo de um aperto na FFR para flexibilização, o que levou o mercado a correr para travar taxas nas Treasurys de 10 anos enquanto ainda estavam elevadas. Estes bonds na época pagavam em torno de 2,50% ao ano momentos antes de o FED iniciar o ciclo de cortes na FFR.

A flexibilização na política monetária levou a FFR para zero em 2020. A corrida de compra em Treasurys de 10 anos gerou um bom trade para vários players de Wall Street. O problema é que acabou criando um grande problema de inversão nas curvas de juros futuros.

gráfico UST 2Y x 10Y

O spread natural entre a taxa do bond de 10 anos versus a taxa do bond de 2 anos começou a diminuir, chegando a zerar em 2020. Nesta ótica, o mercado começou a temer risco de recessão na economia norte-americana, já que a taxa de juros curta mais elevada do que a taxa de juros longa costuma quase sempre sinalizar problemas à frente.

O sinal mais nítido de inversão nas taxas ocorreu em meados de 2022, quando a Treasury de 2 anos começou a oferecer um prêmio bem maior do que a Treasury de 10 anos, superando, inclusive, a diferença de prêmio entre estes títulos observada em 2006 (momentos antes do estouro da crise do subprime) e 2000 (momentos antes do estouro da bolha da internet).

Atualmente, a Treasury de 2 anos opera aos 3,79% ao ano, enquanto a Treasury de 10 anos oferece retorno de 3,30% ao ano. A relação invertida entre os prêmios dos bonds gera grande preocupação no mercado financeiro quanto ao futuro de médio prazo (12/24 meses).

gráfico UST 3M x 10Y

A inversão é ainda mais grave quando se compara a Treasury de 3 meses, que está pagando 4,86% ao ano, contra a Treasury de 10 anos. Nunca antes na história dos Estados Unidos a relação invertida de prêmio de risco foi tão acentuada entre o título de 3 meses versus título de 10 anos.

O agravamento da inversão pode sinalizar que não somente uma recessão poderá surgir no médio prazo, como sua intensidade pode ser mais severa.

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